domingo, 25 de setembro de 2011

PONTE MANUFATURADA TRÁZ DOR DE CABEÇA A POLÍTICOS NO AMAZONAS

Deputado estadual Marcelo Ramos se revolta com o gasto de dinheiro público na contrução monumantal da ponte e cobra retorno da verba.

O ex-governador do Amazonas Eduardo Braga anunciou que a construção da ponte Manaus-Iranduba. Licitada por menos de R$ 500 milhões, a ponte será entregue por mais de R$ 1 bilhão, isso sem contar os custos das obras do entorno, determinadas pelo Estudo de Impacto de Vizinhança.

A gravidade de uma obra que custou o dobro do valor licitado, o ex-governador resolveu homenagear a ponte com a construção de uma praça e um totem na Avenida Brasil. Para ser coerente com o superfaturamento da ponte, o monumento em sua homenagem custou R$ 5,5 milhões – o preço de uma escola de tempo integral.

Acontece, que o monumento foi construído em 2009/2010, sendo que o ex-governador recebeu em 2008 o Estudo de Impacto de Vizinhança da ponte que indicava a necessidade de construção de uma passagem de nível exatamente no local onde foi construído a praça e o totem. Resultado, após o ex-governador gastar R$ 5,5 milhões, o atual governador está – corretamente – derrubando a obra do antecessor.

Em maio o Ministério Público Estadual denunciou esse absurdo desperdício de dinheiro público. Como até agora nenhuma providência foi tomada ou ação foi ajuizada, essa semana ajuizarei Ação Popular para que o ex-governador seja condenado a devolver aos cofres públicos os R$ 5,5 milhões, além de responder por improbidade administrativa.

O governo teve recursos para pagar pela ponte o dobro do valor licitado e pra construir um monumento – agora demolido – pelo preço de uma escola de tempo integral, diz que não tem dinheiro para manter a ponte e anuncia que cobrará pedágio.
Boatos sobre padágio que será cobrado assusta amazonenses a ponte que liga manaus a Iranduba começa a ganhar repercussão na boca do manauara e muito prejuízo nos cofres publicos.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

TABATINGA CIDADE CHACINA DO BRASIL ENCONTRA RADIALISTA MORTO

O radialista Vanderlei Canuto, da rádio Santa Rosa, foi assassinado por volta das 20h30 dessa quinta-feira (01) em uma esquina perto da casa dele. Ele foi morto com oito tiros. De acordo com informações de testemunhas , dois homens em uma moto teriam feito os disparos. Vanderlei era conhecido na cidade por ser um forte opositor do prefeito Saul Nunes Bemerguy . Pessoas mais próximas do radialista suspeitam de que o crime tenha motivação política.

Algumas pessoas acompanhavam o cortejo usando faixas pretas nas bocas como se fossem mordaças. O radialista deixou esposa e dois filhos. O assassinato do radialista Valderlei Canuto continua sendo um mistério.
As investigações sobre o crime foram iniciadas pela delegacia de Tabatinga (a 1.105 quilômetros), mas estão paradas.

jaime Ferreira DELEGADO,o surgimento do nome de dois políticos da cidade fez o caso ser encaminhado a Justiça de Tabatinga e ao Tribunal de Justiça do Amazonas. Um dos suspeitos é o prefeito da cidade, Saul Bemereguy.

O radialista encontrado morto no dia 1º de setembro com oito tiros espalhados pelo corpo.políticos estão entre as suspeitas de terem cometido o crime tão brutal.

Vanderlei canuto foi um cidadão guerreiro que brigava pelas causas do povo de Tabatinga pelas etnias do solimões e calado de forma covarde deixou familiares e amigos com um sentimento de revolta e medo. Tabatinga o lugar do Brasil mais esquecido do mundo. Onde tudo pode acontecer, terra sem lei e de desigualdade social.

CRIANÇAS INDIGENAS SÃO ALICIADAS E VARIOS CASOS DE DESPARECIMENTO NA TRIPLÍCE FRONTEIRA

Wilson Lisboa Deputado no amazonas pretende pedir a criação de uma frente de ação para combater denúncias de pedofilia e aliciamento de menores na região de fronteira entre o município de Tabatinga (1.106km de Manaus), e as cidades da Colômbia e do Peru. A ação deverá envolver Polícia Federal (PF), Polícia Militar (PM), Tribunal de Justiça (TJ-AM), Ministério Público, Secretaria de Segurança Pública e o Distrito Federal.

O presidente da Comissão de Direitos Humanos, Assuntos Indígenas e Cidadania, durante a sessão itinerante da Assembléia Legislativa (ALE-AM), realizada no último dia 15 de setembro em Tabatinga, foram realizadas várias denúncias que envolviam o aliciamento de menores de idade por proprietários de hotéis de selva peruanos.

“A polícia, em parceria com a força nacional e a juíza de lá, já fez operações em hotéis e motéis da região e constatou a presença de menores fazendo programa. Em tabatinga recebemos a denúncia que hotéis de selva, são apenas fachada para captação dessas menores. Há indícios de que seja uma rede criminosa comandada por um americano que mora no Peru”.

Outra situação diz respeito ao desaparecimento de menores de idade na cidade de Tabatinga. Professora que pediu para não ser identificada, enviou denúncia à comissão afirmando que ‘várias crianças’ estariam sumindo da cidade, sem que as autoridades tratassem o caso com seriedade. “Por incrível que pareça, está virando corriqueiro o desaparecimento de menores naquela região. Precisamos dar um fim nisso”

O relatório com as denúncias feitas à comissão deverá ficar pronto nesta quinta-feira (22), e será encaminhado aos órgãos de segurança pública do Estado e também na esfera federal. “Como se trata de um caso que envolve questões diplomáticas, e principalmente a cooperação desses países, precisamos da ajuda de Brasília nesse sentido”.


Foram feitas denúncias onde agentes de saúde demoram até seis meses para chegar em determinadas localidades do Alto Solimões, e destacou que o Amazonas apresenta surto de Hepatite e Malária.

O IBGE afirma que 47 mil indígenas moram na região do Vale do Javari, e a questão da saúde desses indivíduos é precária”. De acordo com a comissão de saúde irá propor a criação de uma ação conjunta mais eficaz.

Profissionais treinados para a captação de órgãos no Amazonas SUSAM garante reforço

Amazonas

A Secretaria de Estado da Saúde (Susam) promove, em parceria com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) o curso de Formação de Coordenadores Hospitalares de Transplantes e a capacitação em Coordenação Hospitalar para Médicos Intensivistas do Amazonas.

Os cursos serão ministrados nesta sexta-feira e no sábado (23 e 24), no Hotel Quality Inn, em Manaus, a partir de 9 horas, reunindo 90 profissionais de saúde, dos quais 30 médicos intensivistas e 60 enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais que atuam em unidades de urgência e emergência da rede pública e privada. Os profissionais treinados irão atuar nos hospitais e pronto-socorros na identificação de potenciais doadores de órgãos e na sensibilização e esclarecimento das famílias para a doação.


A capacitação faz parte das estratégias do Governo do Amazonas para fortalecer a política estadual de transplantes e ampliar o número de procedimentos no Estado. Em julho deste ano, a Susam deu início à captação de rim de doadores falecidos e em agosto realizou a primeira captação de múltiplos órgãos, ampliando as possibilidades de atendimento aos pacientes.


Com isso, além dos transplantes de córnea e de rim intervivos, o Estado passou a fazer transplante renal com rim de doador falecido. Em dois meses foram feitos oito transplantes renais deste tipo, com sucesso.


De acordo com o secretário Wilson Alecrim a meta seguinte é o transplante de fígado e, posteriormente, o de coração. Equipes já estão em treinamento para que os primeiros transplantes de fígado ocorram nos próximos seis meses.


PROGRAMAÇÃO


SEXTA, 23 DE SETEMBRO

Formação de Coordenadores Hospitalares de Transplante – Módulo Básico

9h – O transplante no Brasil e suas diferenças regionais

10h – Os transplantes em Manaus – Realidade e Perspectivas

10h15 – O processo Doação-Transplante

10h45 – O conceito de Morte Encefálica

11h30 – Identificação de possíveis doadores

12h às 13h – Intervalo

13h – Manutenção Hemodinâmica

13h30 – Acolhimento e entrevista familiar

14h – Aspectos éticos e legais

15h30 – Indicadores Doação-Transplantes

16h30 – Perguntas, análises, dúvidas


SÁBADO, 24 DE SETEMBRO

Curso de Capacitação em Coordenação hospitalar para médicos intensivistas

9h – Processo Doação- Transplante no Brasil

9h45 - Os transplantes em Manaus – Realidade e Perspectivas

10h15 – Identificação e avaliação do doador potencial

10h30 às 11h - Debate

11h – Diagnóstico de morte encefálica

11h45 – O papel do intensivista no processo Doação-Transplante

12h – Debate

12h30 às 14h – Intervalo

14h30 – Debate

14h45 – Situação e Perspectivas Regionais da Doação e dos Transplantes – ABTO e CNCDO

15h30 – Debate

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Narcotraficantes Peruanos Invadem Aréa de Índios Isolados no Brasil


Na sexta-feira 5, funcionários da Funai retomaram uma terra indígena onde vivem índios isolados na fronteira do Acre com o Peru. Eles afirmaram ter encontrado um grupo de traficantes peruanos no local no fim de julho. Na sequência, no dia 30, a Polícia Federal tomou a área e prendeu o traficante português Joaquim Fadista.

“Demos uma batida no entorno, os peruanos estão aqui em volta, bem pertinho. Vimos algumas tocaias que observavam a operação“, afirmou via e-mail direto da base Xinane, Carlos Travassos, Coordenador Geral de Índios Isolados da Funai.

Fortemente armados, relata Travassos, os traficantes montaram uma série de pontos de observação do posto, que havia sido saqueado durante a ausência da equipe da Funai no local. Em razão do risco sob o qual estavam os funcionários da Funai, o governo do Acre enviou, no domingo 7, em medida de urgência, uma equipe do Bope, a tropa de elite da polícia estadual.

Policiais e funcionários da Funai passaram a fazer buscas na floresta pelos traficantes. Em um dos acampamentos foi encontrada uma mochila. Dentro dela, uma ponta de fleche utilizada pelos índios isolados. O vestígio encontrado pela Funai elavanta suspeitas ainda mais graves, de que pode ter ocorrido um genocídio: “Esses caras fizeram correria (como se chamavam as matanças de indígenas na época dos seringais) de índios isolados”, suspeita Travassos. “Decidimos voltar para cá por conta de acreditarmos que esses caras possam estar realizando um massacre contra eles”.

Estão na base Xinane 5 funcionários da Funai. Além do coordenador, acompanha o experiente sertanista da fundação José Carlos Meirelles, que trabalha há tries décadas junto aos índios isolados no Acre. “O fato é que aqui ficaremos até que alguém ache que uma invasão do terrtório brasileiro por um grupo paramilitar peruano, é algo que mereça atenção”, afirma Meirelles.

Márcio Meira, president da Funai, está se dirigindo ao Acre para acompanhar o desenvolvimento da situação. “É preciso que fique claro a presence do Estado brasileiro na área, através dos funcionários da Funai, que estão garantindo a integridade do território e a segurança dos indígenas”

Nos últimos anos, funcionários da Funai, encabecados por Meirelles, tem reiteradamente feitos denuncias públicas das ameaças a que estão expostos os índios que vivem em isolamento voluntário na fronteira do Brasil com o Peru. A maior ameaça até então diagnosticada era da atividade madeireira ilegal, em crescente alta no país vizinho, assim como garimpos de ouro.

A presença de narcotraficantes, comprovada pelas prisões de Fadista, comprova que o corridor de unidades de preservação está efetivamente sendo utilizado como rota de tráfico, uma ameaça ainda mais grave à sobrevivência destes povos.

Dessa vez, o velho sertanista tá maneirando nas críticas, dizendo que a culpa de não se fazer nada lá pelas matas do alto Envira não é dos oito "come e dorme" da Força Nacional (FN) que tão lá na base Xinane, da Frente de Proteção Etnoambiental Envira (FPEE), mas de seus superiores, que não autorizam que eles façam qualquer diligência na mata pra prender os narcotraficantes peruanos que ainda estão por lá.

Nas fronteiras do Brasil, ainda continuam varios problemas de tratados e assim temos que continuarmos de braços cruzados.Ditado popular e agora quem poderá nos defender.






quinta-feira, 4 de agosto de 2011

PLANO DE SEGURANÇA ENVOLVE BRASIL E COLÔMBIA NA FRONTEIRA

Colômbia e Brasil partilham uma fronteira comum de 1.645 kms com pouca densidade populacional, mas com grande presença de grupos armados ilegais, especialmente da guerrilha e narcotráfico.

Ministro colombiano da Defesa, Rodrigo Rivera, viajou nesta quinta-feira à cidade de Tabatinga, no Brasil, para assinar com o ministro Nelson Jobim, um plano de segurança fronteiriça entre os dois países. A informação é do Governo de Bogotá.

O acordo tem como objetivo "facilitar o nível político e estratégico das relações entre colombianos e brasileiros em matéria de segurança e identificar as atividades ilícitas que implicam riscos e ameaças para a segurança fronteiriça, com o objetivo de ampliar as capacidades e enfrentá-las de maneira conjunta", anunciou o Ministério da Defesa em um comunicado.

A estratégia foi traçada em junho passado durante uma reunião entre Rivera e Jobim em Bogotá e, de acordo com o ministro colombiano, ela foi planejada para enfrentar ameaças como os cultivos ilícitos, a depredação de espécies da fauna e flora, o tráfico e a mineração ilegal.

Para Rivera, informou o Ministério da Defesa, serão colocados em prática mecanismos para propiciar o diálogo, a cooperação e a coordenação, assim como a aplicação de instrumentos internacionais contra o crime entre fronteiras, acrescentou o comunicado.

O acordo prevê ainda "a adoção de mecanismos de cooperação para a proteção e a defesa estratégica dos recursos naturais e da biodiversidade da zona fronteiriça amazônica, assim como a promoção do desenvolvimento social e sustentável".

Participarão ainda da reunião em Tabatinga os vice-presidentes da Colômbia, Angelino Garzón, e do Brasil, Michel Temer, assim como os ministros brasileiros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e da Integração Nacional, Fernando Bezerra.

Colômbia e Brasil partilham uma fronteira comum de 1.645 kms com pouca densidade populacional, mas com grande presença de grupos armados ilegais, especialmente da guerrilha e narcotráfico, assim como traficantes de armas.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

ÍNDIOS POR ELES MESMOS

Ameaçada por grilagem de terras, desmatamento, garimpo, obras de governos e minada pela discriminação, a cultura dos povos indígenas brasileiros resiste (agora também) em forma de literatura e conquistando espaço no mercado editorial. Há uma boa safra de escritores indígenas dedicados à literatura infanto-juvenil e publicados por diversas editoras, inclusive grandes como Martins Fontes, Paulinas e FTD. O ano de 2011 deve terminar com pelo menos 19 títulos novos no mercado, entre os quais A cura da terra, de Eliane Potiguara, pela Global Editora, e Mondagará, de Rony Wasiry Guará, pela Saraiva.

Esse interesse se deve, em parte, à Lei 11.645, aprovada em 2008, que criou a obrigatoriedade de se tratar a temática indígena e afro-brasileira no currículo escolar brasileiro. Mas também é possível que nomes como Daniel Munduruku, Graça Graúna, Yaguarê Yamã e Olívio Jekupé estejam ganhando as prateleiras das livrarias do país graças a suas vendagens, turbinadas recentemente pelas compras governamentais, via PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola).

A Global, com 11 livros de autores indígenas em seu catálogo, publicou o primeiro O Povo Pataxó e Suas Histórias em 1999 e depois não parou mais. Segundo seu editor, Luis Alves Junior, esses livros já vendiam bem antes da lei, tanto que alguns deles já haviam ganhado reimpressões – o livro Você se lembra, pai? de Daniel Munduruku, publicado em 2003, é um deles.

A lei chegou anos depois da articulação de escritores indígenas em encontros nacionais, liderados pelo pioneiro Munduruku, e deflagrada há oito anos com grande apoio institucional da Fundação Nacional do Livro Infanto-Juvenil. “Nós não endossamos o trabalho destes autores porque são indígenas, mas porque estão fazendo uma literatura de qualidade para as crianças”, diz Beth Serra, presidenta da Fundação.

Doutor em Educação e autor de 43 livros, a maioria dos quais infanto-juvenis, Munduruku, de 47 anos, editou seu primeiro livro, Histórias de Índio, em 1996, pela Companhia das Letrinhas, depois de bater em várias portas. Hoje já tem 20 edições.“Lançar livro para criança da cidade com ótica indígena era difícil. Na época, era sempre antropólogo, escritor, historiador que escrevia sobre o índio, que não tinha voz nem vez no mercado editorial”.

De lá para cá, Munduruku já abocanhou vários prêmios nacionais e internacionais, como o “Jabuti” de 2004 pela obra Coisas de índio, da Callis Editora.

Natural de Belém (PA) mas vivendo em Lorena (SP) há mais de 20 anos, Munduruku é formado em Filosofia, com Licenciatura em História e Psicologia. Ele chegou à literatura infanto-juvenil através de suas experiências como professor e educador social de rua da Pastoral do Menor em São Paulo, onde acabava contando as histórias que escutava quando vivia entre seus parentes aldeados.

Para ele, a literatura funciona como “maracá”, o chocalho que é utilizado como instrumento de cura pelos pajés. Acredita-se que dentro dos maracás há uma voz sagrada que é a que os pajés utilizam para conversar com os espíritos que fazem a cura das pessoas que os procuram. A literatura deles teria este componente. “É nosso maracá para a sociedade brasileira”. Para ele, esta geração de escritores indígenas escreve como uma forma de “curar o Brasil”, ajudando a sociedade “a conhecer sua história e não perder de vista a contribuição que os indígenas oferecem”.

Outro “parente” de Munduruku neste movimento que usa a literatura como “arma de defesa do povo indígena” é Olívio Jekupé, de 45 anos,que teve que abandonar o curso de Filosofia por dificuldades econômicas. Publicando desde 2001, Jekupe é autor de um total de 11 livros, o mais recente “Tekoa – conhecendo uma aldeia indígena”, pela Editora Global. Jekupé, que vive na aldeia guarani Krucutu, em São Paulo, prefere denominar sua literatura de “nativa” e não de “indígena” para diferenciá-la da literatura que os outros escrevem tendo o índio como objeto. “Ela sai de dentro da gente, do que conhecemos, pois escrever sobre índio não é só escrever, é preciso conhecer e viver essa cultura”.

Relatos orais das velhas gerações indígenas

Para Munduruku foi um acaso eles terem caído no gosto do público infantil. Acabou dando certo. “Não é que a gente escrevesse para crianças, é pelo teor das histórias que a gente conta. A gente recebia essas histórias de forma oral. Caía na nossa memória. E o nosso pessoal foi começando a aprender a escrever”.

Muito do que esta geração de autores indígenas faz é verter para o papel as lendas e histórias dos povos indígenas, repletas de conteúdos éticos e morais, que eram transmitidas oralmente para suas crianças há séculos, com clara função educativa.

Por outro lado, a literatura infanto-juvenil também é mais acessível a eles por serem livros menores e relativamente mais fáceis de escrever. Afinal, esta turma só recentemente está sendo escolarizada com a preocupação em resguardar sua identidade étnica, ou seja, “sem desprezar sua identidade, desistir de sua história e desacreditar seus sábios”, observa Munduruku.